4.8.16

A primeira semana de férias e o síndrome (bom) de emigrante!

 Esta primeira semana de férias sabe-me a pouco e faz-me sentir um bocadinho como os emigrantes quando voltam a casa. Já explico porquê J.
Ainda de rastos de um ano intenso de trabalho e sozinha com eles com uma energia para dar e vender, sinto-me longe da mãe cheia de programas e surpresas que costumo ser. Sem a paciência que merecem, sem ideias para grandes programas, sem bolos a sair do forno ao fim do dia e surpresas boas ao pequeno almoço. 
Andamos a tratar de assuntos pendentes (na esperança que o mês de Agosto tenha menos pessoas nas filas!!), visitámos hoje o Aquário Vasco da Gama (adoraram!), enquanto ansiamos pelo dia de rumar a Sul. 

Tenho um problema sério com o mês de Agosto. Parece-me sempre que chegadas as férias, daqui até ao Natal é um pulinho. 
Sou só eu com esta sensação parva?
Os dias começam a ficar mais pequenos «e nós ainda nem fomos para os aproveitar!» - penso.
Todos os anos digo: "no próximo ano, fica o pai com primeira semana e eu com a última ". Nunca acontece porque eu detesto férias em Agosto e quanto mais tarde vou, mais perto me sinto dos dias de Outono.
Os miúdos estão numa excitação boa, numa alegria imensa, cheios de saúde e eu só queria um bocadinho para dormir. 
Serei egoísta?!
Porque é que me sinto um bocadinho emigrante?
Porque nesta semana de Agosto fazemos sempre uma “ida à terra” que é como quem diz vamos ali a Santarém.
Ribatejana de gema saída da terra directamente para Lisboa aos 18 anos, por cá estudei, por cá comecei a trabalhar e por cá fiquei.
Santarém fica a 65 km de Lisboa e vamos lá com alguma frequência, mas esta ida em Agosto tem sempre um gosto diferente.
A “minha terra” tem um cheiro característico, uma cor única, uma lezíria a perder de vista, uns pampilhos de bradar aos Céus, uma água que tem sabor. A casa dos meus pais, que será sempre minha, é um porto de abrigo onde me sinto bem, segura, amparada, tranquila.
Chegar a Santarém em Agosto é um misto de sentimentos. Por um lado o calor infernal que mal conseguimos respirar e por outro uma vontade de inspirar e expirar cada vez mais fundo para sentir o ar puro a entrar corpo adentro.
Os meus filhos, tal como os emigrantes, choram copiosamente sempre que vimos embora. Adoram por lá estar, anseiam pelas férias para fugir para lá, e eu confesso que gosto deste sentimento que nutrem pela casa, que será sempre minha, e que agora também é um bocadinho deles.
Visitámos família. Plantámos alfaces. Apanhámos tomates e limões. Mexemos na terra. Guardámos memórias.

Um beijo
M


Casa dos meus avós - Santarém
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