4.5.18

Uma geração em"burnout"!

Há uns dias, li um texto magnífico com o qual me identifiquei de imediato.
A autora do Blog by Cláudia Gonçalves Ganhão, minha amiga e fundadora da plaforma MÃES.pt, da qual sou também co-autora, escreveu este texto (que vos convido a ler aqui) onde abordou um tema que, nos dias de hoje, nos atormenta a - quase - todos.
Chamam-lhe hoje "Burnout". Eu chamo-lhe "grito por uma mudança de vida"!
Falava recentemente com uns amigos sobre este "Burnout" constante em que, em especial, a minha geração vive.
Os empregos exigentes, a vida que passa rápido demais, as novas tecnologias que nos consomem, a culpa permanente dos pais em relação às ausências perante os filhos, os medos, as doenças cada vez mais presentes, a vida de loucos (com particular relevância) nas grandes cidades, o stress constante, o dia que só tem 24 horas para tantas actividades deles, o dia que parece que só tem 2 horas para todas as nossas responsabilidades.
Tal como a Cláudia, sinto que tenho uma "vizinha" do outro lado da porta sempre à espreita, pronta para entrar e se sentar confortavelmente sem ser convidada.
A depressão, o esgotamento, o cansaço são sintomas que todos sentimos alguma vez na vida, mas ignoramos. Vamos fingindo que não vemos, que não sentimos, que não nos toca, que não nos sussura ao ouvido.
Assumidamente, tirei uns dias de férias porque precisava desesperamente de "desligar" o botão. Não foi preciso ir para fora para o conseguir fazer. Bastou tomar consciência e agir.
Estava com sintomas de exaustão, não só física mas psicológica e precisei (e soube) parar.
É preciso ouvir os sinais que corpo nos dá.
Insónias, dores no corpo, dores de cabeça (permanentes), falhas de memória e uma irritabilidade fora do comum, são só alguns sintomas que não devemos descurar.
Parar, escutar e descansar foram palavras de ordem nos 6 dias que estive "OUT".
Fui a uma festa de arromba (e que festão!), dormi, li, vi séries, passeei sozinha e com os meus filhos, estive(mos) com amigos, fui à praia, escrevi, tive um dia inteiro sem falar com ninguém, fui à fisioterapia (estou focada nisto!), fui à reflexologia (vou falar sobre este tema muito em breve), fui à consulta de rotina de Dermatologia (que, quem por cá anda há mais tempo, sabe faço sempre antes do Verão e depois do Verão), fiz compras, descansei, não liguei o computador.
Tive tempo para organizar ideias, redefinir prioridades, dizer sim a novos desafios, para me equilibrar nas diferenças, para dar tempo ao tempo.
Há uns meses, perguntaram-me em contexto profissional e numa formação, se tivesse uma lâmpada mágica e apenas pudesse pedir um desejo, o que pediria.
Sem pestanejar pediria para "mudar de vida". 
Ter mais tempo. Não deixar de trabalhar (porque adoro de paixão o que faço) mas ter mais tempo. Tempo para mim, para os meus filhos, para escrever, namorar, viajar, ler e dormir. 
Seria pedir muito?
Um beijo

M. 

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